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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ENTRELAÇADOS


Itália 1961, numa época em que a banda desenhada, conhecida neste país da Europa mediterrânica como fumetti`s, era a principal fonte de entretinimento, e os heróis mais populares eram Tex, da Edizioni Araldo, a atual Sergio Bonelli Editore, Il Piccolo Sceriffo da editora Torelli, Capitan Miki e Il Grande Blek, da Editoriale Dardo, surge Zagor! 


Criado por Sergio Bonelli, o filho daquele que ficaria conhecido como o patriarca da banda desenhada italiana, Gianluigi Bonelli, criador do personagem de maior sucesso nesse país, Tex Willer, e por Gallieno Ferri, este o criador gráfico. Ferri, que nos anos antecedentes tinha trabalhado quase exclusivamente para o mercado francês sobre o pseudónimo de Fergal, era praticamente um desconhecido no seu próprio país! Meses antes do lançamento de Zagor encontrou-se com Sergio no escritório deste, para lhe apresentar os seus trabalhos, com o objetivo de desenhar para a editora, e para o mercado italiano. Sergio, que assinava as suas histórias como Guido Nolitta, para que os leitores não o confundissem com o seu pai, ficou muitíssimo impressionado pela qualidade do jovem desenhador, decidindo utiliza-lo imediatamente, tendo-lhe entregue alguns argumentos de Giubba Rosa escritos pelo seu pai. Concluídas essas histórias, e estando todos os argumentistas da editora ocupados, não restou outra opção ao também jovem editor, senão criar ele próprio um herói para esse propósito! Este foi o ponto de partida para a existência de Zagor, cujo verdadeiro nome é Patrick Wilding, mas também é conhecido como “O Rei de Darkood”, “Zagor-te-nay”, ou “O Espirito da Machadinha”.

 

Nolitta traçou objetivos muito claros para o novo personagem! As aventuras deste herói seriam dedicadas a uma faixa de leitores mais jovens que os leitores de Tex, sem no entanto caírem na infantilidade. Teriam como principal cenário a floresta imaginária de Darkwood e decorreriam na América na primeira metade do século XIX. Mas Nolitta pretendia algo mais do que um novo herói do Oeste Americano e ficar amarrado às típicas histórias do faroeste! Para contornar esta limitação, incluía temas intemporais nas suas tramas, e alternava ou sobrepunha o género narrativo ao longo das histórias, deambulando pela ficção científica, comédia, horror, ou drama, com extrema facilidade. Esta capacidade de “navegar” entre géneros ficaria como a sua imagem de marca no personagem! Delineados os princípios fundamentais do novo herói, Sergio efetuou alguns esboços a que Ferri acrescentou algumas sugestões para a composição final, como as riscas horizontais nas calças, ou o símbolo de uma águia negra na camiseta. Para a fisionomia basearam-se, inicialmente, em Robert Taylor, um dos atores Norte Americanos mais populares na época. Mas essa imagem não vai durar muito! Ferri, que era jovem, atlético, e bem-parecido, passadas poucas histórias começa a desenhar Zagor utilizando ele próprio como modelo, como já havia feito com Thunder Jack. Faltava o nome! Em 1961, com algumas histórias já prontas, o novo herói ainda não tinha sido batizado! Ajax era uma ideia que Sergio tinha em mente! A inclusão do “X” tornava-o apelativo! Na época era usual incluir nos nomes dos heróis “X” ou “K”, porém, a descoberta que Ajax era também o nome de um detergente vai tornar esta opção inviável. Sergio resolveu a questão homenageando dois outros heróis, conjugando duas silabas dos seus nomes: ZA, proveniente de “Za-la-mort”, famoso herói do cinema mudo italiano e GOR, de Flash Gordon, um dos heróis da sua infância. Assim surgiu Zagor em 15 de Junho 1961, um herói que, segundo o criador, é uma mistura de Tarzan, de Fantasma, e de “Il Grande Blek”.

As necessidades da pequena editora que possuía uma estrutura familiar e pouco
profissional, que exigiam a Sergio o desempenho de múltiplas tarefas, vão força-lo a abandonar Zagor logo após os primeiros números
1. O primeiro a substituí-lo foi o próprio Ferri que possuía alguma experiencia como argumentista resultante, essencialmente, dos trabalhos efetuados para o mercado francês. O talentoso desenhador vai manter a dupla função de ser responsável pelo argumento e arte, por vários meses, até ser, também ele, substituído pelo pai de Sergio, Gianluigi. “La lancia spezzata”2, publicado em Junho de 1962, marca essa transição! Nos longos meses que Ferri foi o único responsável pela produção das histórias, Bonelli filho dirigia a editora durante o horário normal de funcionamento e, nos tempos livres, elaborava um esboço do enredo. Ferri desenvolvia o argumento baseando-se no esboço e desenhava toda a aventura, sendo posteriormente supervisionado pelo editor, que retocava diálogos e outros pormenores, garantido desta forma a homogeneidade do personagem.

 

As cerca de 80 tiras que compunham cada edição, correspondem a cerca de 27 pranchas
GIAN LUIGI BONELLI
no atual formato Bonelli! Texto e desenho que teriam que estar prontos a cada quinzena devido à periodicidade das publicações! Um trabalho descomunal, que exigia um esforço titânico e impossível de manter a longo prazo, sem perda de qualidade! Basta pensar que a maioria dos atuais desenhadores produzem apenas entre dez e quinze pranchas mensais, sem se preocuparem com o texto. Para aliviar Ferri, mas também Sergio, Gianluigi Bonelli vai escrever todas as aventuras do personagem por quase um ano, acumulando com as cerca de 1100 pranchas que escreveu para Tex, durante os anos 1962 e 1963.


Nolitta só vai regressar à série com “Tragedia nella palude”, o número 13 da segunda série publicado em 26 de Maio de 1963. Após o regresso e durante dezassete anos, até ao número 182 da atual série3, “Magia senza tempo”, publicada em Setembro de 1980, Nolitta vai escrever a grande maioria das histórias, criando algumas das mais belas aventuras do herói, que ainda hoje permanecem na memória dos fãs. O afastamento de Sergio ficou-se a dever, mais uma vez, às necessidades da editora! Primeiro para alternar com o seu pai, que não era mais um jovem, escrevendo histórias de Tex, depois para se dedicar a Mister No, personagem que criou em 1975, também com Ferri, e  por ultimo, para se dedicar integralmente à administração da empresa.

 

Em pouco mais de quarenta páginas Nolitta “prendeu-me” a Zagor! Numa época em que
ZAGOR Nº 6
não existiam computadores, consolas de jogos, e muito menos internet, e a televisão ainda não tinha saído da “pré-história”, não permitindo gravações ou o recomeçar de um programa, e dispondo apenas dois canais: Um deles, o segundo canal da RTP, encontrando-se a maior parte do tempo fechado, ou a transmitir desporto! A BD era assim o passatempo da grande maioria das crianças e adolescentes, com uma enorme quantidade de títulos nas papelarias todas as semanas. Foi nessa época que descobri o personagem, nos finais da década de setenta, início dos anos oitenta do seculo passado, no sexto número da coleção não autorizada da Portugal Press, intitulado de “Hora zero”
4. A complexidade do argumento, o mistério provocado pelos estranhos eventos ocorridos na floresta, a referência ao “velho” que apenas aparece na capa, a comicidade das situações em que Chico se vê envolvido, a ficção e os anacronismos presentes, como a existência de eletricidade e misseis no século XIX, e pela acção: A edição inicia-se com Zagor a lutar com uns misteriosos soldados na floresta e concluiu-se com o herói a ser descoberto no interior da montanha onde se infiltrou para descobrir os mistérios do “Olho do Diabo”. Tudo isto em apenas quarenta e oito páginas! Uma pequena parte do segundo encontro com Hellingen.

 

Após a saída de Nolitta, Zagor vai atravessar a pior fase da sua já longa existência. Fase que em Itália é referenciada como “a década perdida”5! Este período correu tão mal ao ponto de se ter equacionado o cancelamento da publicação, o que não deixa de ser incompreensível! Como é que uma revista que vendia mais de duas centenas de milhares de exemplares por mês, só sendo ultrapassada por Tex, cai drasticamente nas suas vendas tendo, unicamente, como alteração de fundo, a saída de um escritor? È verdade que neste ciclo não foi só Zagor que perdeu leitores! Foi uma época extremamente negativa para a BD mundial devido, essencialmente, ao surgimento de outras formas de entretenimento, como as primeiras consolas de jogos. A equipa de desenhadores, tal como na fase anterior, manteve Ferri e Franco Donatelli como responsáveis pelo desenho na maioria das aventuras. Na criação dos roteiros transitaram Decio Canzio e Alfredo Castelli, que não eram propriamente novatos, (pertenciam ao staff da publicação desde 1977), a que se juntaram Ade Capone, Daniele Nicolai, Giorgio Pellizzari, Moreno Burattini e, principalmente, Marcello Toninelli que se tornaria o principal argumentista da série tendo escrito a maioria das edições publicadas entre 1983 e 1991. A verdade é que as histórias perderam o encanto! A diversidade de géneros presente em cada a aventura exigia o doseamento adequado para não cair na infantilidade ou em excessos de fantasia, algo que Nolitta tinha conseguido com mestria na maioria das suas histórias, e que neste período, os escritores parecem não ter conseguido conciliar. 

 

Intitulada de “A segunda odisseia Americana”, uma mega saga de trinta e uma edições, que incluiu diversas aventuras, e que envolveu praticamente toda a equipa de desenhadores e escritores da época, vai devolver o carisma perdido a Zagor! Nesse arco de histórias, “O espirito da Machadinha” e Chico são retirados do seu “habitat” e iniciam uma longa peregrinação a diversos países da América do Norte, replicando um pouco, mas numa escala muito maior, a história clássica de Nolitta e Ferri publicada em 1972. “L`esloratore
ZAGOR Nº 345 ITALIANO
scomparso”
6, publicada em Abril de 1994, uma das primeiras aventuras do “Rei de Darkwood” escritas por Boselli, para além de ser o início da saga, é também considerada um marco na vida editorial do personagem. O ponto de viragem numa publicação que esteve para ser cancelada e que devolveu o fascínio ao herói, e às suas aventuras! Em pouco tempo as histórias retomaram o interesse perdido, graças principalmente à dupla de escritores, Burattini e Boselli, que efetuaram um trabalho descomunal de pesquisa, juntamente com os desenhadores envolvidos, consultando todo o tipo de informações para tornarem mais credíveis, paisagens, ambientes, povos, vestuário, povoações etc. Este duo parece ter redescoberto a formula “Nolittiana”! Voltaram as histórias longas, a mistura de realidade e ficção, e a utilização dos diversos géneros nas proporções adequadas, que tornaram este personagem único e, que os seus fãs tanto apreciam. Mas não só! Foram introduzidas na série várias personagens de relevo, como Nat Murdo, Honest Joe ou Marie Laveau. A equipa de desenhadores foi reforçada com desenhadores muito talentosos, como Carlo Raffaele Marcello, Raffaele Della Monica ou Alessandro Chiarolla que se juntaram a Mauro Laurenti, Stefano Andreucci, ou Gaetano Cassaro, que tinham entrado nos últimos anos. Quando Zagor regressa a Darkwood, no número 376 da coleção, o espectro do cancelamento tinha desaparecido definitivamente!

 

Os números de Zagor são realmente impressionantes! Publicado ininterruptamente por
EDIÇÃO AMERICANA DE
 " A AREIA É VERMELHA"
várias editoras há mais de meio século em Itália, alvo de várias coleções, extras e especiais, são muitas centenas de aventuras e edições, nas diversas coleções, ultrapassando as setenta mil páginas! No país de origem, onde as vendas atingem cerca de 35000 cópias mensais, ainda que bem distantes dos tempos áureos em que ultrapassavam as duzentas mil cópias, mas bastante aceitáveis tendo em conta a realidade atual da BD, Zagor continua a ter um publico bastante fiel, que se estende a diversos outros países onde é publicado, como a Sérvia, Croácia, Turquia, Grécia, ou Brasil. Foi também publicado e apreciado em diversos outros paises, possuidores de culturas muito diferenciadas, como a India, Dinamarca, Israel, Inglaterra ou França. Zagor teve também direito a uma breve passagem pela sétima arte sem no entanto atingir o sucesso protagonizado na BD. Nos anos setenta foram produzidos na Turquia três filmes com baixos orçamentos, e sem as devidas autorizações por parte da editora. Em Itália, “Noi, Zagor”, o documentário realizado por Riccardo Jacopino dedicado ao mundo de Zagor e aos seus criadores, esteve em exibição, no Outono de 2013, em cerca de duas centenas de salas de cinema. Com inicio em Fevereiro de 2012, e reproduzindo o sucesso de Tex na republicação das suas aventuras a cores em coleções publicadas com parcerias com dois dos maiores jornais italianos, La Repubblica e L`Espresso, as aventuras de Zagor foram também republicadas em coleções similares: As primeiras quinhentas edições da coleção mensal e todas edições do ZAGOR SPECIALE. Criando-se desta forma um novo produto capaz de conquistar, outros mercados como os E.U.A., país que começou a publicar recentemente o personagem, ou, outra gama de leitores, os que preferem as edições coloridas!

 


Mas afinal qual é a chave do sucesso de Zagor? A resposta a esta pergunta não é assim tão linear! Obviamente que as razões do sucesso serão as mais diversas, e algumas delas poderão, mesmo, parecer incompreensíveis. Afinal, quem poderia imaginar que um tipo com uma arma incomum, (uma machadinha feita com uma pedra), e uma aparência extravagante, (veste uma camiseta vermelha com uma águia ao peito), que se move na floresta como Tarzan, e vive isolado como o Fantasma, num meio onde tudo pode acontecer, como se fosse um portal para diferentes épocas, e que, quando se ausenta, vagueia não só por toda a América, mas também por outros continentes, em que as suas aventuras serpenteiam por uma miscelânea, e por vezes, aparentemente, inconciliáveis géneros narrativos, se tornaria um dos personagens mais adorados e duradouros da BD italiana, e que meio seculo depois da primeira aventura continuaria a ser publicado? Até o próprio Sergio Bonelli, criador literário do personagem, visionário, e o principal arquiteto da transição da simples BD de entretenimento popular, para um produto de dignidade cultural, responsável pelo sucesso de uma das mais importantes editoras a nível internacional, a SBE, teria muitas dificuldades em acreditar.

 

Para Buratinni uma das principais razões é o personagem manter-se fiel às suas raízes e
MORENO BURATINNI
as mudanças ocorridas terem sido graduais, quase impercetíveis, e essencialmente na narrativa e não no caracter. Com o curador e o principal escritor da atualidade, a narrativa tornou-se mais rápida, e o herói têm perceção diferente do leitor, desconhecendo factos, o que não acontecia com Nolitta, em que ambos tinham a mesma perceção da trama. Incluídas nessas alterações, a utilização frequente de flashbacks, de cruzamentos com personalidades históricas, como o presidente Jackson, o pirata Lafitte, Charles Darwin ou o filósofo Tocqueville, bem como, uma maior atenção à realidade. Outro segredo das aventuras de Zagor continuarem a ser muito interessantes, reside, também, segundo o escritor, na forma como se misturam todo o tipo de histórias, mantendo neste aspeto, a fórmula definida por Nolitta.

 

Sempre apreciei muito essa mistura de géneros! Essa característica é talvez a mais
ZAGOR Nº 1 RGE
importante nas histórias de Zagor! A que faz a diferença para todos os outros e que torna o personagem único! Após a leitura de “Hora zero” fiquei fã de “O espirito da machadinha”, tal como fiquei de Mister No quando li o primeiro número da Portugal Press! Passaram-se vários anos para conseguir ler uma história completa destes personagens, que tanto me fascinaram. Somente em 1985, quando o personagem começou a ser publicado pela RGE tive essa possibilidade! “O tesouro maldito”, apesar de ser uma história curta para os padrões “Zagorianos”, cerca de cem páginas, não deixa de ser um bom exemplo de uma aventura de Zagor. Uma caça ao tesouro que encaixa bem no género de aventura, mas é sem dúvida, também, de horror, de suspense, e parecendo quase impossível, de muito humor e drama. Como classificar uma história deste tipo? Um dos elementos do universo “Zagoriano” que permite combinar todas estas incongruências é a floresta de Darkwood que Nolitta criou com esse objetivo: Possibilitar todo o tipo de cenários e aventuras, sem grande preocupação com a realidade histórica, geográfica ou temporal, e cruzar ficção com qualquer uma dessas realidades, ou personalidades. Darkwood é assim a porta da fantasia, que proporciona a desenhadores e escritores um cenário criativo, facilmente adaptável a qualquer realidade ou situação.

 

Outro factor que muito contribui para o sucesso de Zagor são as personagens secundárias!
AMIGOS DE ZAGOR
Entre amigos e inimigos existem dezenas de personagens carismáticas à disposição dos escritores, que consoante o tipo de aventura são inseridas, sendo que apenas Chico acompanha, permanentemente, o protagonista em todas as histórias. Só para introduzir comicidade nas narrativas, em longas tiradas que ocupam dezenas de páginas, ou em pequenos episódios, em qualquer parte das histórias, todos eles com personalidades muito marcantes e diferenciadas, destacam-se, Trampy, Digging Bill, Drunky Duck, Batt Baterton, além do já mencionado Chico.

 

Também relacionado com o êxito da série está o vastíssimo leque de autores consagrados, argumentistas e desenhadores, que abrilhantaram as suas páginas: Guido Nolitta, G.L. Bonelli, Decio Canzio, Alfredo Castelli, Ade Capone, Mauro Boselli ou Moreno Burattini, escritores, e Franco Donatelli, Franco Bignotti, Marco Torricelli, Carlo Raffaele Marcello, Raffaele Della Monica, Maurizio Dotti ou Marco Verni, desenhadores, entre tantos outros, e claro, o criador gráfico, aquele que maior responsabilidade teve no sucesso do herói, Gallieno Ferri!

 

Inspirado pelos grandes autores clássicos dos anos 20, 30, do século passado, Alex
IMAGEM DE FERRI
Raymond, Phil Davis, Ray Moore e Milton Carniff, Ferri era um desenhador muito versátil, detentor de um traço muito detalhado e dinâmico, capaz de produzir desenhos muito expressivos aliados a uma enorme capacidade de execução. Essas características permitiram-lhe desenhar todo o tipo de aventuras nos mais diversificados ambientes, e em simultâneo, cumprir os apertadíssimos prazos a que estava sujeito, principalmente até 1967, época em que desenhou a quase totalidade das pranchas, com a agravante de ter escrito, também, diversas aventuras, na fase em que Nolitta se afastou devido às necessidades da editora.

 

Durante o período mais conturbado da série, a famigerada “década perdida”, fase em que a série esteve muito próxima do cancelamento, Ferri juntamente com Donatelli foram os grandes baluartes, os grandes responsáveis por preservarem a identidade do personagem, e por manterem os fãs interessados, pois o tipo de aventuras afastou-se da fórmula idealizada por Nolitta6.

 

Nas duas últimas décadas, não obstante o desenhador ter visto diminuir o número de trabalhos publicados, ainda foi o desenhador com maior número de pranchas publicadas em cinco desses anos, tendo o ultimo ocorrido em 2007, com 376 páginas.

 

As capas pelas quais Ferri foi responsável desde o primeiro número é outro aspeto onde salta à vista a importância do desenhador no sucesso da série. Com objectos centrais bem detalhados, contrastando com cenários rabiscados, preenchidos com sombras ou penumbras, as suas capas eram apelativas, impactantes e diversificadas, devido a uma utilização de cores vivas, e a uma escolha criteriosa das cenas, com uma frequente variação de ângulos e enquadramentos para evitar repetições.

 

Mas não é necessário analisar, detalhadamente, o seu percurso profissional, para perceber
Sergio Bonelli e Gallieno Ferri
a profundidade da ligação deste autor, a Zagor. O próprio a declarou em diversas ocasiões! Questionado sobre os melhores momentos da sua carreira de desenhador, o artista genovês, referiu três momentos “Zagorianos”: O primeiro encontro com Sergio Bonelli no longínquo ano de 1960 que lhe permitiu desenhar Zagor, e que, reconheceu, lhe mudou a vida. O segundo momento, referiu-se a um época, ao período clássico da série, e para as aventuras criadas na década de setenta, que considerava graficamente melhor concebidas. Por último, a enorme satisfação que teve em ver publicado a cores, praticamente todas as aventuras do herói na Collezione Storica a Colori.

 

Se os números de Zagor são deveras impressionantes para um personagem de BD, os de
PRANCHA DE FERRI
Gallieno Ferri parecem impossíveis para um ser humano. Ao longo da sua carreira de desenhador produziu mais de 20000 pranchas. O ano mais produtivo foi 1962 em que viu publicadas 645, tendo ultrapassado a produção anual de meio milhar, em mais doze ocasiões. É também o desenhador de Zagor mais publicado em 25 anos da sua existência, e o autor da SBE com a ligação mais longa a um único personagem. Produziu ainda todas as capas desde que adotado o formato atual e a quase totalidade das quatro séries de tiras
7, ultrapassando a barreira de um milhar.

 


Com 87 anos de vida e apesar das limitações inerentes à avançada idade, principalmente ao nível da destreza de movimentos e da visão, capacidades indispensáveis para o desempenho da sua profissão, Ferri continuava apaixonado pelo seu trabalho, orgulhoso da sua obra, dando mostras de não pensar em reformar-se, desenhando as capas para todas as séries de Zagor. Num artigo publicado em 2013 é referido que ainda desenhava cerca de duzentas páginas por ano, (marca impressionante para qualquer desenhador, de qualquer idade), e que continuava a ser um prazer desenhar na sua prancheta, da qual não conseguia manter-se afastado, nem mesmo no período de férias em Recco onde vivia. Amante do mar  e dos desportos aquáticos e náuticos, frequentava a praia ou dava um passeio, mas após algumas horas acabava sempre por se sentar na sua mesa de desenho, onde se sentia verdadeiramente feliz.

 

Falecido a 02 de Abril em Génova, cidade onde nasceu, Gallieno Ferri foi um extraordinário desenhador que à muito era considerado uma lenda da BD Italiana! Um exemplo de vitalidade e de vida, para todos nós, e uma fonte de inspiração para outras gerações de artistas, pela paixão com que exercia o seu trabalho, e pela dedicação a Zagor, personagem a que se manteve continuamente ligado desde a sua criação, numa união de cinquenta e cinco anos, que só seria quebrada por algo inevitável, como a morte. Artistas como Moreno Burattini, cuja história é sobejamente conhecida, de como este apaixonado leitor se tornou, também, apaixonado escritor principal das série, ou, o já apelidado de novo Ferri, igualmente fã de Zagor, Marco Verni, que quando criança ouvia de seus pais: “estude meu filho, que Zagor não vai colocar comida a sua mesa”. Verni seguiu o seu sonho de criança mesmo não contando com o apoio inicial dos pais, tornando-se, atualmente, um dos desenhadores mais apreciados, sendo o seu traço muito semelhante ao de Ferri, do qual é admirador confesso. Na área da música, o roqueiro Graziano Romani é outra das personalidades, tal como inúmeras outras neste país com grande apreço pela BD, que se sente influenciada pelas aventuras deste personagem, e pelo mestre Ferri. Em 2009 produziu um álbum com a capa do artista genovês dedicado a este herói e, recentemente, escreveu o livro, “The art of Ferri”, dedicado ao desenhador.

 

Como herança para todos os amantes da banda desenhada Ferri deixa dezenas de histórias, centenas de capas e milhares de pranchas, que fizeram sonhar, um pouco por todo o mundo, e ao longo de várias décadas, milhares de crianças e jovens, mas também adultos, porque as aventuras deste herói foram concebidas para todas as idades. Mas mais importante que a quantidade é a qualidade, e nesse aspecto, o seu legado é também riquíssimo, pois inclue algumas das mais belas aventuras do personagem. Histórias intemporais, como, “Oceano”, “A marcha do desespero”, “Kandrax, o mago”, “Dharma, a bruxa”, ou “O retorno do vampiro”, que eu, tal como a grande maioria dos fãs, sempre vou recordar.

 

NOTA FINAL:

 

O sucesso do personagem e a carreira do desenhador, estão de tal modo interligados, que não é possível atribui-lo a um, sem incluir o outro. O curioso é que tudo começou com uma simples entrevista para conseguir um trabalho! Incrível como determinados eventos, aparentemente triviais e sem nenhuma importância, se revelam, afinal, marcantes, decisivos e influentes para toda uma vida! A vida e a carreira de Gallieno Ferri foi vítima de um desses episódios: O encontro com Sergio Bonelli no seu escritório em 1960!  Uma entrevista para um emprego como tantas outras a que o desenhador deve ter ido, tal como qualquer um de nós. Fosse o destino, acaso ou coincidência, o que é um facto, é que esse simples evento, esse banal acontecimento, foi  determinante para a carreira do desenhador, para o “nascimento” do personagem, e para a história de ambos tal como as conhecemos hoje.

 

LEGENDA:

 

O sétimo número da primeira série de “striccias”, “La morte invisibile” publicado em 15 de Setembro de 1961 já foi escrito por Gallieno Ferri. As publicações na época possuíam o formato de talões de cheques constituídas de uma tira por página. Zagor teve 4 séries neste formato com 80 páginas por edição totalizando 239 edições, publicadas entre 15 de Junho de 1961 e 10 de Novembro de 1970.

2 O Nº 27 da primeira série de “striccias”.

3 O Nº 182 de ZAGOR apresenta na lombada o Nº 233 correspondente ao número ZENITH. Em Julho de 1965, o número 52 da revista ZENITH GIGANTE inicia a reedição das aventuras de Zagor, desta vez com 3 tiras por página, no famigerado formato Bonelli, naquele que se tornaria o primeiro número da atual coleção do personagem. Zagor vai monopolizar esta publicação a partir desse número, mantendo, no entanto, na lombada, a numeração da coleção ZENITH, que é desfasada de 51 números da numeração de ZAGOR. Esta coleção vai republicar as aventuras das quatro séries até ao número 68, “Lo spettro!”, em Fevereiro de 1971, publicando posteriormente apenas histórias inéditas. As reedições da coleção mensal apenas apresentam o numero ZAGOR.

 

4 “Hora Zero”, aventura de Guido Nolitta e Gallieno Ferri publicada no ZAGOR italiano números 107 a 109 em 1974. No Brasil foi publicada apenas por uma única vez em 1987 nos números 30 e 31 da coleção ZAGOR da Globo.

 

Apesar de qualificada como a pior fase do personagem em Itália, nós Portugueses e Brasileiros temos muita dificuldade em avalia-la, pois nunca tivemos oportunidade de acompanhar as aventuras sequencialmente, e diversas histórias continuam inéditas no Brasil. Das coleções publicadas no Brasil apenas ZAGOR ESPECIAL RECORD tinha como objetivo publicar todas as histórias cronologicamente, tendo sido cancelada no sétimo número sem ter atingido essa fase.

 

6 ZAGOR Italiano Nº 345. No Brasil foi publicado pela Mythos no Nº 11 de ZAGOR EXTRA, em Fevereiro de 2005.

 

7 O conceituado blogue DIMEWEB atribui a Ferri 233, das 239 capas que compõem as 4 séries de “striccias”.

 

 

BIOGRAFIA DE GALIENNO FERRI:


Nascido em Genova, Itália, em 21 de Março de 1929, Gallieno Ferri é um dos desenhadores mais prestigiados, num dos países onde a BD têm maior aceitação a nivel mundial. No início da sua vida profissional, e antes de se dedicar à nona arte, trabalhou alguns anos como agrimensor, tendo começado a sua carreira de desenhador quase por acaso, após ter sido selecionado num concurso para novos talentos promovido pela editora de Giovanni De Leo. Para essa mesma editora, com o argumento do próprio De Leo e, utilizando o pseudónimo de Fergal, Ferri vai desenhar em 1949, o seu primeiro personagem: Il Fantasma Verde. Seguem-se Piuma Rossa, um western, e Maskar, personagem criado em conjunto com De Leo para substituir Fantax. Série, que apesar do enorme sucesso obtido, devido à censura vigente e por ser excessivamente violenta, teve de ser cancelada! Maskar não passava de uma “cópia” do Fantax expurgada dos excessos de violência que motivaram o cancelamento!

Durante o periodo 1949 e 1951, além do trabalho normal na editora, Ferri envolve-se noutros projetos com De Leo, como Big Bill, Le Casseur e Robin Hood, publicações licenciadas pela francesa de Pierre Mouchott, a S.E.R.

Entre 1952 e 1953, mais uma vez com De Leo, e numa co-produção com Mouchott, criam Thunder Jack. Posteriormente, após a interrupção da série em Itália, Ferri vai continuar a desenhar o personagem apenas para o mercado francês. Nessa série o desenhador vai adotar, pela primeira vez, as próprias feições para a composição do protagonista. Processo que vai repetir mais tarde com Zagor! Como reconhecimento do seu trabalho em França, Ferri é convidado por Mouchott a criar outros personagens especificamente para o mercado gaulês e para a S.E.R.. Surgem então, fruto dessa ligação, Kid Colorado, Jim Puma e Tom Tom, este ultimo publicado mais tarde, em Itália, pela De Leo.

No final da década de cinquenta, do seculo passado, o desenhador decide voltar a trabalhar, também, para o mercado italiano, iniciando a colaboração com a redação do Il Vittorioso, desenhando diversas histórias de Capitan Walter e de Jolly.

Em 1960 conhece Sergio Bonelli, o jovem editor da Edizioni Araldo, a atual Sergio Bonelli Editore, começando por desenhar alguns episódios de Giubba Rosa escritos pelo pai de Sergio, Gianluigi Bonelli. Após a conclusão desses trabalhos, e não existindo outros argumentos disponíveis, Nolitta cria, juntamente com Ferri, um personagem especificamente para o desenhador: Zagor!

Em 1975, novamente com Guido Nolitta, criam Mister No. Ferri desenha apenas a história inicial e as primeiras cento e quinze capas da série.

Devido ao enorme sucesso de Chico, em 1979 é lançada uma nova coleção dedicada a este personagem: CICO STORY. Nolitta e Ferri são os responsáveis pelos primeiros cinco números da coleção.

Entre 1998 e 2000 Ferri desenha as capas das três últimas edições especiais de “Il Comandante Mark”.

A sua carreira de desenhador ficaria definitivamente ligada ao primeiro encontro com Sergio Bonelli em 1960, e ao personagem por eles criado, Zagor! Após a publicação do primeiro número em 1961, até ao seu falecimento em 02 de Abril de 2016, decorridos cerca de cinquenta e cinco anos, Ferri manteve-se a desenhar o “O rei de Darkwood”, produzindo mais de cento e vinte histórias, em mais de vinte mil pranchas e a quase totalidade das capas, de todas as séries, ultrapassando o milhar de unidades.

Com 87 anos de vida, Gallieno Ferri faleceu em Génova, cidade natal, em 02 de Abril de 2016.

 

PRINCIPAIS REFERENCIAS:
http://thebonelliemporium.blogspot.pt/2016/04/ciao-ferri.html

Zagor 25 anos no Brasil, edição especial comemorativa

Cinquenta anos de aventuras, por Moreno Burattini


PS: Texto publicado na revista Clube Tex Portugal Nº 5 em Dezembro de 2016

 

 

 

 

 

 


 

domingo, 3 de abril de 2016

CIAO FERRI

Dois de Abril de 2016 foi um dia muito triste para os amantes da BD! Gallieno Ferri, um dos desenhadores com maior prestigio em Itália, e uma referência para inúmeras gerações de artistas, num país onde a BD é muito mais do que uma forma de entretenimento, faleceu em Génova, a mesma cidade onde nasceu em 21 de Março de 1929, à oitenta e sete anos atrás.

No inicio da sua vida profissional e antes de se dedicar à nona arte, trabalhou alguns anos como agrimensor, tendo começado a sua carreira de desenhador quase por acaso, após ter sido seleccionado num concurso para novos talentos promovido pela editora de Giovanni De Leo. Para essa mesma editora, com o argumento do próprio De Leo e com o pseudónimo de Fergal, Ferri vai desenhar em 1949, o seu primeiro personagem: Il Fantasma Verde. Seguem-se Piuma Rossa, um western, e Maskar, personagem criado em conjunto com De Leo para substituir Fantax. Série, que apesar do enorme sucesso obtido, por ser violenta e, devido à censura existente na época, teve de ser cancelada! Maskar não passava de uma “cópia” do Fantax expurgada dos excessos de violência que motivaram o cancelamento!

Durante o período 1949 e 1951, além do trabalho normal na editora, Ferri envolve-se noutros projectos com De Leo, como Big Bill, Le Casseur e Robin Hood, publicações licenciadas pela francesa de Pierre Mouchtt, a S.E.R.

Entre 1952 e 1953, mais uma vez com De Leo, e numa coprodução com Mouchott, criam Thunder Jack. Posteriormente, após a interrupção da série em Itália, Ferri vai continuar a desenhar o personagem apenas para o mercado francês. Nessa série o desenhador vai adotar, pela primeira vez, as próprias feições para a composição do protagonista. Processo que vai repetir mais tarde com Zagor! Como reconhecimento do seu trabalho em França, Ferri é convidado por Mouchott a criar outros personagens especificamente para o mercado gaulês e para a S.E.R.. Surgem então, fruto dessa ligação, Kid Colorado, Jim Puma e Tom Tom. Este ultimo publicado mais tarde em Itália pela De Leo.

No final da década de cinquenta, do seculo passado, o desenhador decide voltar a trabalhar, também, para o mercado italiano, iniciando a colaboração com a redação do Il Vittorioso, desenhando diversas histórias de Capitan Walter e de Jolly.

SERGIO BONELLI E GALLIENO FERRI
Em 1960 conhece Sergio Bonelli, o então jovem editor da Edizioni Araldo, a actual Sergio Bonelli Editore, que lhe reconhece enorme talento, entregando-lhe a responsabilidade de desenhar alguns episódios de Giubba Rosa escritos pelo seu pai, Gianluigi Bonelli. Após a conclusão desses trabalhos, e não existindo outros argumentos disponíveis, Nolitta que pretendia manter o extraordinário desenhador, cria um personagem especificamente para ele: Zagor!

Em 1975, novamente com Guido Nolitta, criam Mister No, desenhando apenas a história inicial e as primeiras 115 capas da série.

MISTER NO E ZAGOR, OS DOIS PERSONAGENS CRIADOS
 PELA DUPLA NOLITTA FERRI
Devido ao sucesso de Chico, em 1979 é lançada uma nova colecção dedicada a este personagem, CICO STORY. Nolitta e Ferri são os responsáveis pelos primeiros cinco números da coleção!

Entre 1998 e 2000 Ferri desenha as capas das ultimas 3 edições especiais de “Il Comandante Mark”.

PRANCHA DE ZAGOR 565/566 PUBLICADOS
 EM ITÁLIA EM SET12
A sua carreira de desenhador ficaria definitivamente ligada ao encontro com Sergio Bonelli no longínquo ano de 1960 e ao personagem por eles criado, Zagor! Após a publicação do primeiro número em 1961, até aos dias de hoje, decorridos cerca de cinquenta e cinco anos, Ferri manteve-se a desenhar o personagem, tendo produzido todas as capas de todas as séries, ultrapassando o milhar, desenhado mais de cento e vinte histórias em mais de vinte mil pranchas. Esta ligação de quase cinquenta e cinco anos a um personagem é muito provavelmente, caso único na história da BD mundial.

EDIÇÃO ESPECIAL DA SBE
A MARCHA DO DESESPERO
Inspirado pelos grandes autores clássicos dos anos 20, 30 do século passado, Alex Raymond, Phil Davis, Ray Moore e Milton Carniff, Ferri era um desenhador muito versátil, capaz de produzir desenhos muito expressivos aliados a uma enorme capacidade de execução. Estas duas características do seu trabalho, rapidez e versatilidade, justificam, só por si, a magnitude dos números apresentados. Mas mais do que números, o seu nome está escrito em algumas das mais belas aventuras do personagem! Aquelas que os fãs lembrarão para sempre: “Oceano”, “A marcha do desespero”, “Kandrax, o mago”, “Dharma, a bruxa”, ou “O retorno do vampiro”, entre muitas outras.


Por se manter activo numa idade tão avançada e até ao seu falecimento, numa profissão extremamente exigente ao nível da visão e destreza de movimentos, por ser uma inspiração para os jovens desenhadores, por ter feito sonhar com a sua arte, inúmeras gerações de leitores um pouco por todo mundo, Gallieno Ferri é um exemplo de vitalidade, dedicação, paixão, e acima, de tudo, de vida, que a sua obra perpetuará para sempre. Obrigado Ferri.

REFERENCIAS:

http://dimeweb.blogspot.pt/2016/01/zagor-anno-per-anno.html
http://www.ubcfumetti.com/data/ferri.htm
http://www.sergiobonelli.it/gallery/news/39937/Addio--Maestro-Ferri-.html

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O LIMITE DA TOLERÂNCIA

PIB BRASILEIRO - 2015 ESTIMATIVA FMI
2015 Foi um ano horrível para o povo brasileiro! Após diversos anos de crescimento económico elevado, em média anual de 4,4% no período de 2004 a 2011, o Brasil entrou em recessão no final de 2014, como resultado de uma acumulação de más politicas internas. Os indicadores económicos foram sucessivamente revistos em baixa ao longo de 2015, por diversas entidades, entre as quais a Standard & Poor`s, que perspetivou no final desse ano, queda de 3,2% para 2015, e de 2% para 2016. Previsões confirmadas pelo governo brasileiro em Novembro último, reafirmando esperar fechar o ano com uma queda do PIB de 3,1%. O pior resultado dos últimos 25 anos! O último ano em que o PIB brasileiro sofreu uma queda superior a 3% foi em 1990, com 4,35%! Parece inevitável que a recessão será muito mais profunda e duradoura que o inicialmente esperado. Os brasileiros já estão a sofrer o impacto através de uma inflação elevada em serviços e bens essenciais, que deve superar os dois dígitos também em 2016, na desvalorização do real, no aumento do desemprego, nas elevadas taxas de juro e na perda de poder de compra.

COLEÇÃO DE MOEDAS
Colecionismo é um fenómeno muito interessante! O que é que move uma pessoa adulta, bem formada, a colecionar, por exemplo, pacotes de açúcar? Ou miniaturas de automóveis? Será uma obsessão? Paixão? Vicio? O homem pré-histórico já guardava artefactos necessários à sua vida quotidiana, mas esse ajuntamento de objetos, tornava-o colecionador? As opiniões divergem, os arqueólogos atribuem esse hábito de guardar os artefactos à necessidade de sobrevivência. Não obstante as divergências de opinião, é consensual a ideia da existência do colecionismo na época anterior a Cristo, em que o imperador Caio Júlio César, governante romano entre 69 A.C. e 44 A.C, já era, historicamente comprovado, um colecionador fascinado pela arte grega. Coleciona-se principalmente por prazer, por diversão, mas também pode ser, por investimento. Como as coleções de selos, de moedas ou as de quadros! Tudo é colecionável, depende da motivação e do interesse do colecionador. Além das coleções mais tradicionais já referidas, as mais conhecidas são as de banda desenhada, postais, cromos, ou discos de vinil. Algumas coleções recebem nomes específicos como a de moedas - numismática, selos – filatelia, ou livros - bibliofilia. Em alguns casos o colecionismo é muito mais do que um prazer, um passatempo, ou mesmo um investimento. Colecionar pode ser enriquecedor na aquisição de conhecimentos ao nível das artes, geografia ou história, como na filatelia temática ou na numismática. As tarefas associadas ao ato de colecionar acabam por proporcionar benefícios aos colecionadores, desenvolvendo-lhe capacidades de observação, de raciocínio, de análise entre outros, tornando-os indivíduos mais organizados.

CADERNETA DE CROMOS
MUNDIAL DE FUTEBOL 1982
Desde muito cedo me interessei pelo colecionismo! As minhas primeiras coleções foram de cromos e ainda me recordo da última coleção que completei: Mundial de futebol de 1982. Mas o que realmente me interessava nessa época era a BD! Nos finais dos anos setenta do século passado lia praticamente tudo o que conseguia arranjar, quer através das compras, pouquíssimas, quer através de trocas ou empréstimos, muito vulgares na época. Mas isso só não me satisfazia! Gostava de ter as revistas impecáveis e as trocas ou empréstimos não me davam essa garantia! Pelo que muito cedo decidi comprar e guardar, iniciando desta forma a minha coleção, que continua a “engordar” até aos dias de hoje, passados mais de três décadas. 


TEX EDIÇÃO BRASILEIRA

Como a grande maioria das pessoas não possuo recursos financeiros ilimitados, pelo que, infelizmente, tive de fazer opções. Atualmente apenas coleciono as edições brasileiras de Tex e Zagor! Parece pouco mas não é! Basta pensar que só Tex têm dez coleções em publicação, a que acrescem as duas de Zagor. TEX OURO (TXO), TEX EDIÇÃO HISTÓRICA (TEH), TEX COLECÇÃO (TXC), TEX EM CORES1 (TEC) E TEX GIGANTE EM CORES publicam histórias já publicadas anteriormente em outras coleções, que acrescentam apenas algumas particularidades, como as capas ou matérias inéditas, novos formatos, ou a colorização.


Então, se o manter destas coleções é muito dispendioso, e se quase metade delas são repetições de outras, que já possuo, o que é que me motiva a mantê-las?

Ser colecionador é ser um pouco irracional! Irracional no sentido de fazer determinadas compras que a maioria não compreende. Principalmente em situações de grave crise económica, como a que o Brasil atravessa, e a que Portugal têm sentido nos últimos anos. E se gastar tanto dinheiro em revistas já é incompreensível para muitos, fazê-lo em revistas cujas aventuras já li, e que possuo em outras publicações, mais inexplicável é! Não é por considerar um investimento! Para esse fim existem outros tipos de produtos que considero mais adequados! A única explicação que encontro é o prazer de possuir tudo o que for publicado do personagem no Brasil. Objetivo a que me propus há muitos anos atrás. Como agravante o facto de não ler todas as republicações, apenas aventuras de que gostei particularmente ou quando não tenho outras opções. Deste modo é normal passarem-se largos meses sem ler nenhuma das coleções de republicações! A última encomenda que recebi do Brasil apenas me trouxe sete edições originais, pelo que rapidamente foram “devoradas”. Voltei-me assim para os TXO 78 e 79, com excelentes capas cartonadas, muito bonitas, mas com um preço extremamente elevado. Compensa pela apresentação e pelo facto de serem histórias completas! Pensei eu antes de folhear a revista, mas rapidamente mudei de ideia ao fazê-lo.

PÁGINAS 40 E 41 DE TEX OURO 78 TÊM UMA IMPRESSÃO TÃO CARREGADA QUE DESTRÓI COMPLETAMENTE A ARTE DO DESENHADOR.
Que porcaria! Como é possível colocarem revistas nestas condições à venda e com um preço tão elevado? Será que a editora não faz uma prova antes de enviar o material para a impressão? E o controlo de qualidade? Não funciona ou não existe? O que é que adianta dotar a revista com um excelente capa se depois o miolo se apresenta com uma impressão deplorável? Mais incompreensível se torna por os responsáveis da editora serem Helcio de Carvalho e Dorival Vitor Lopes! Pessoas com um largo passado ligado à BD, amantes da nona arte aos quais a BD brasileira muito deve nas últimas décadas! Uma história de BD é uma novela gráfica em que o texto e o desenho são igualmente importantes! Muito raramente uma aventura é considerada uma excelente história só por ter um excelente texto ou desenho. Como é que a editora espera conquistar novos leitores se destrói completamente cinquenta por cento dos atrativos da publicação?

PÁGINAS DE TXO 79, A MESMA IMPRESSÃO CARREGADA DE TXO 78. SENÃO EXISTISSE INFORMAÇÃO NO CARTUCHO DA 1ª VINHETA NINGUÉM ACREDITARIA QUE A AÇÃO DECORRIA NUMA MANHÃ.
ALMANAQUE TEX 32
A Mythos assumiu a publicação de Tex no Brasil em Janeiro de 1999 sucedendo à Globo, mantendo a numeração das coleções existentes em respeito pelo personagem e pelos leitores e em apenas dois meses consegue publicar a sua primeira coleção: TEX GIGANTE. Com cinquenta anos de histórias do personagem à disposição a editora decide apostar em força e, ao longo dos anos, os títulos vão chegando ao mercado. Alguns deles entretanto cancelados, como TEX ESPECIAL DE FÉRIAS, TEX E OS AVENTUREIROS e OS GRANDES CLÁSSICOS TEX (OGCT). Em minha opinião a pior coleção lançada pela editora pois considero-a uma reedição desordenada TEH! Em Maio de 2007 com a publicação do ALMANAQUE TEX 32 a editora cumpre um dos objetivos que se tinha proposto: publicar todas as histórias do personagem que se mantinham inéditas. Passados desassete anos, fruto da existência das inúmeras coleções que publicam histórias das diversas fases do herói, a Mythos já publicou pelo menos por uma vez, 99%2 das aventuras de Tex Willer. Deste modo, o colecionador fiel a todas as coleções que a editora colocou no mercado, se as mesclar, dispõe da quase totalidade das aventuras publicadas em quase sessenta e oito anos de existência. É obra!

Apesar de considerar globalmente positivo o trabalho da editora não consegui ficar indiferente à péssima qualidade de TXO 78 e 79, pelo que decidi verificar as outras coleções, esperançado que se tratasse de um caso isolado. Infelizmente é muito mais grave! Várias edições de TXO, TEH e TXC apresentam impressões horríveis, o que me leva a questionar: Será que vale a pena continuar? Para quê desperdiçar dinheiro se já tenho as histórias e se as edições de há vinte ou trinta anos têm melhor impressão que as atuais? Confesso que estou a atingir o meu limite, em o prazer de possuir as coleções completas não justifica o preço que estou a pagar por uma qualidade tão baixa. Quantos outros colecionadores não estarão próximos desse limite?

Esmiuçando os problemas das diversas coleções, começando pelo TXC3. 

TEX COLEÇÃO 364 COM DESENHOS DE CLAUDIO VILLA. CONSEGUE IDENTIFICAR O TRAÇO?
TEX 247 COM UMA IMPRESSÃO
 BEM NÍTIDA
As pranchas apresentarem-se com uma impressão demasiada carregada, escurecida, escondendo detalhes, iludindo o leitor sobre o momento da ação e, em alguns casos, destruindo completamente a arte do desenhador, é o principal problema desta publicação. Os desenhadores mais afetados são os que mais detalham os desenhos, e que mais utilizam o preto, como Ortiz ou Fusco. Mas não só, até os artificies da nona arte mais apreciados atualmente, como Fabio Civitelli ou Claudio Villa, vêm os seus trabalhos completamente ofuscados em algumas edições, para não utilizar uma expressão mais gravosa. Outro problema que afeta esta coleção é a falta de nitidez! Os desenhos parecem desfocados, se conjugado com a impressão demasiado escura... Uma fase em que se encontram os desenhos desfocados e escurecidos é entre o 361 e o 369. Segue-se uma fase em que apenas se encontram as pranchas demasiadas escurecidas, entre os números 370 e 390. Voltando a piorar após o 391.

TXC 391 IMPRESSÃO ESCURECIDA,
FOSCA NUM PAPEL POUCO BRANCO
Curiosamente, o papel utilizado nesta coleção até é de uma boa gramagem, pecando apenas pela falta de brancura em algumas edições. Falta referir a numeração das páginas que considero apenas um pormenor: Existiam falhas até ao 369, por vezes não existia numeração, outras a falta do logotipo. Aspeto que aparentemente foi corrigido! Depois desse número todas as revistas incluem a numeração com o logotipo! Para comprovar o que afirmo recomendo a observação do 364, “O rancho dos homens perdidos” de Villa, do 366, “A caverna dos Thugs” com Galep, ou, “O sangue no rio” de Fusco. Três desenhadores de inegável qualidade, que nestes trabalhos estão praticamente irreconhecíveis devido à péssima qualidade gráfica, ou ao trabalho de pré-impressão.




TEH 78
TEH4 apresenta os mesmos defeitos, mas de uma forma bem mais ligeira, em que o principal problema continua a ser a impressão muito escura. No entanto, este escurecimento das pranchas apenas é observado em partes das histórias e não nas edições completas, como acontece em TXC. Quanto a imagens desfocadas, apesar de existirem, a quantidade é negligenciável. Nos números 84 e 88, incompreensivelmente, foi utilizado um papel demasiado fino e que enruga junto à colagem. Não se percebe esta experiencia com um papel muito pior que o utilizado nas outras edições! Já a numeração das páginas com o logotipo da coleção é utilizada assiduamente desde o número 83. Histórias em que se podem observar os problemas indicados, salientam-se os seguintes números: 78, 80, 85, 87 e 88.
TXO 65 - CENAS DIURNAS
Quanto à coleção TXO5, as edições com papel fraquíssimo aumentaram! Nesta situação incluem-se os números 64, 65, 66, 71 e 75. O principal problema continua a ser a impressão demasiado carregada em quase todas as edições, no entanto, a desfocagem, a falta de nitidez, também estão presentes, principalmente nas edições 64 a 66 e 71 e 72, isto se excluirmos os TXO 78 e 79, que me despertaram para este problema, e que são, sem dúvida, as piores edições deste leque observado. A numeração com o logotipo da coleção foi recuperada em TXO 80, curiosamente, depois de em Maio de 2015, na rubrica “Correio do Oeste” do TEX 547, em resposta a uma observação de Thiago Ferreira Barbosa, os responsáveis da editora terem informado os colecionadores, e passo a citar, “...não dá para colocar a numeração. Os leitores têm de conviver com isso que, aliás, na nossa opinião não é um problema muito grave.” A questão que fica é: O que é que mudou na editora em tão curto espaço de tempo, que tornou importante, e possível, numerar as páginas com a inclusão do logotipo da coleção?


VINHETAS FOSCAS E ESCURECIDAS EM TEH 94
Poderia ter analisado mais edições mas penso que a amostragem é suficiente e significativa. Nos últimos anos estas três coleções perderam qualidade, apresentam frequentes problemas de impressão, como falta de nitidez ou impressão demasiado carregada, utilização de papel excessivamente fino ou escuro, e ausência ou erros de numeração nas páginas. Como agravantes, serem publicações caras e não publicarem histórias originais! TXC está a republicar o que saiu em TXO (TXC 396 intitulado de “Morte no rio” é uma reedição de parte da história de TXO 21, de Novembro de 2005) e TEH reedita o que saiu em TXC (“Little Rock” aventura publicada em Novembro de 2015 em TEH 94, é uma republicação dos números 238 a 240 de TXC, publicadas entre Novembro de 2006 e Janeiro de 2007). Quanto TXO, reedita pela primeira vez histórias que foram publicadas em TEX a partir do numero 195). O ultimo número de TXO, o numero 81, “A mascara do terror”, foi publicado entre Novembro de 2003 e Janeiro de 2004, nas edições 409, 410 e 411 de TEX. Se nos primeiros tempos da editora se justificava a existência das diversas coleções, pois existiam histórias que não eram publicadas há décadas, neste momento esse cenário já não se coloca, pois a editora publicou praticamente tudo o que diz respeito ao personagem. Sabendo que os colecionadores apreciam a qualidade, a apresentação, o detalhe, características que ultimamente estas publicações pouco têm apresentado, e os leitores dão mais importância à quantidade e ao preço, mas o elevado preço afasta-os, até porque se querem apenas a leitura, e se considerarmos que as aventuras que estas coleções publicam não são inéditas e estão à distância de um clique, basta procurar na NET, quem é o publico alvo destas coleções? Apenas um cada vez menor numero de colecionadores fanáticos nos quais eu me incluo, não sabendo no entanto, por quanto mais tempo vou continuar. 

CENAS DIURNAS EM TEH 88 - IMPRESSÃO EXCESSIVAMENTE CARREGADA
O que é mais intrigante é que nas coleções de originais estes problemas raramente acontecem! As revistas têm normalmente uma boa impressão, com a tonalidade adequada e estão numeradas. Então se é possível fazer bem nessas coleções e em determinadas fases nas coleções de reedições, porque não fazê-lo sempre? Se determinado papel é utilizado de forma satisfatória em determinadas coleções, porque fazer experiências com outro papel, como o que foi utilizado na quase totalidade das edições de TEX entre o 521 e 531, em ALMANAQUE TEX (ATX) 45, e nas edições já identificadas em TXO e TEH? Para fazer um teste não é necessário colocar a revista nas bancas, basta efetuar uma prova!

Não tenho dúvidas, se as publicações Bonelli continuam nas bancas brasileiras e portuguesas muito se deve ao esforço e dedicação da Mythos. Basta observar como a Panini tratou “A FACE OCULTA” em que publicou apenas duas edições, cancelando-a de seguida por não atingir as objetivos pretendidos, para perceber que a Mythos trata os personagens de outra forma. Mas isso não a torna imune a críticas, pois têm cometido muitas falhas nos últimos anos! À falta de qualidade de diversas edições e coleções, juntam-se decisões editoriais que considero incompreensíveis e mesmo auto-destrutivas6. Como o elevado número de coleções de Tex em publicação, em que promove a concorrência entre os próprios produtos. Como senão bastassem as existentes, a editora prepara-se para o lançamento de uma nova coleção: TEX PLATINUM. Mais uma republicação, esta de TEX ANUAL. Este lançamento denota outros aspetos em que a editora deve melhorar rapidamente! A decisão sobre o tipo de produto que vai colocar no mercado e a divulgação e publicitação dos seus artigos! Somente a 01 de Fevereiro, no blogue do Tex, com a atualização das datas de lançamento das coleções para 2016, os fãs têm conhecimento da existência da referida coleção. Relativamente a este assunto o site oficial da editora continua “mudo” quando deveria ser o principal instrumento de divulgação! Nesse mesmo POST, no comentário efetuado pelo editor, tomamos conhecimento que ainda não está definido o formato, pois está dependente do preço. Tudo isto a decorrer no mês que se prevê o lançamento. O atraso no lançamento das publicações é outro ponto que carece de atenção por parte da editora pois têm sido demasiado frequente.

Os problemas nas revistas aqui identificados, e as falhas da editora não são novidade, sempre ocorreram, mas não com a intensidade dos últimos tempos, e fosse por paixão, por vício, por obsessão, ou qualquer outro sentimento que mova os colecionadores, estes sempre compraram as publicações, negligenciando esses aspetos. Então qual é a novidade?

PREVISÃO PIB BRASIL 2016
A novidade foi o ano de 2015 ter sido o pior dos últimos 25 anos em termos económicos, milhares de brasileiros terem perdido os seus empregos e poder de compra, e infelizmente, contrariando todas as previsões de todas as entidades ao longo do ano transato, 2016 não será melhor! E 2017 será apenas, na melhor das hipóteses, um ano de estagnação! Quem o afirma são o Banco Mundial e o FMI em previsões realizadas em Janeiro de 2016. Esta combinação de fatores leva os colecionadores a tornarem-se mais racionais nas suas decisões, mais seletivos nas suas compras, e mais intolerantes perante os problemas com as publicações, pelo que os produtos que não apresentem qualidade, ou um excelente preço, estarão na linha da frente para o insucesso, onde se incluem atualmente TEH, TXC e TXO, pois não apresentam nenhum desses atributos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Em situação normal receberia com muito agrado a notícia de uma nova coleção de Tex, no entanto, após ter observado com detalhe a qualidade das coleções de reedições, receio que TEX PLATINUM seja apenas mais uma coleção em formatinho, impressa em papel de jornal de fraca qualidade e com preço elevado, que apenas desperte o interesse de quem não possui os primeiros números de TEX ANUAL. 

LEGENDA:
1 O blogue do Tex informou que TEC vai sofrer uma pausa na publicação durante o ano de 2016.

2 A Mythos apenas falta publicar 3 histórias antigas do TEX mensal italiano: “Missão em Silver Bell” TEX 56, “Sangue em Buck Horn” TEX 58 e 59 e, “O medalhão espanhol”, TEX 364.

3  Analisadas as revistas desde o Nº 361, de Julho de 2014.

4   Analisadas as revistas desde o Nº 73, de Setembro de 2007.

 Analisadas as revistas desde o Nº 61, de Julho de 2012.

Outro exemplo de decisão editorial, no mínimo incompreensível, foi a manutenção de OGCT após lançamento de TEC em Outubro de 2009, em clara concorrência a essa nova coleção, pois publicava as histórias da mesma época, diferindo apenas na apresentação (preto e branco, formatinho, histórias completas, qualidade do papel e preço inferior). Na época, num texto intitulado de RECOMEÇAR coloquei em dúvida o sucesso dessa publicação e que a manutenção das duas, poderia levar ao insucesso de ambas. Após seis números do TEC a Mythos anunciou o cancelamento de OGCT reconhecendo a evidência da incompatibilidade de existência das duas publicações.

REFERENCIAS: